Artigos>Amílcar Del Chiaro Filho


Destino
Amílcar Del Chiaro Filho

Por que nascemos? O que estamos fazendo na Terra? Por que sofremos? Para onde iremos depois da morte? Essas são perguntas que tem sido feita por bilhões de pessoas, desde o começo do mundo, ou das suas idades mais primitivas. Quem poderá respondê-las? O cientista? O filósofo? O ministro religioso? Talvez cada um deles, parcialmente, porém nenhum tem uma resposta completa e que satisfaça o raciocínio.

Ainda muito criança, fomos atirados à roda viva dos sofrimentos. Perplexos por dores físicas e morais, e por uma ânsia de encontrar respostas, coisa pouco comum em crianças, continuamos procurando as soluções, submissos à dor, angustiados pelas respostas que não satisfaziam a consciência infantil, e posteriormente do adolescente e do jovem.

Submetíamo-nos as dores, mas não dobrávamos os joelhos, por inconformação. Um dia, quando ainda bom aluno do catecismo católico, nos ensinaram: Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, mas por desobediência do um primeiro casal, que foi expulso do paraíso, toda a sua descendência herdou o pecado, com ele, a dor e a morte. Me disseram que Deus criou, também, os anjos, seres perfeitos, para ajudá-lo na obra da criação. O raciocínio infantil logo questionou: Por que fui criado homem e não anjo?

Entretanto, pessoas simples, com poucas letras, (as muitas, às vezes fazem delirar), nos ensinaram as primeiras noções de Espiritismo, e um arrebol festivo, cheio de luzes e cores se acendeu em nossa alma.

Passo a passo, como numa auto-iniciação, apesar de ter começado por uma halo-iniciação, fomos descobrindo as maravilhas desta abençoada Doutrina Espírita, que calou nossos anseios, que cicatrizou nossas feridas e dessedentou-nos. Quanto a sede de justiça e consolação.

A aceitação das dores, que antes era por dever, hoje tem o consenso do coração, e o nosso dever transformou-se no nosso querer. Descobrimos a maior finalidade da vida aqui na Terra. Ela é escola, e nós somos alunos ainda incipientes, mas caminhando para o aperfeiçoamento. Mas isso está centrado na lei da reencarnação, tão ridicularizada por muitos pensadores, e ela, a reencarnação, tem consigo os fios invisíveis da lei de Ação e Reação, ou causa e efeito.

De todas as nossas dores, mesmo as mais cruciantes dores físicas, que nos faziam chorar abundantes lágrimas; mesmo a dor da saudade pela orfandade e pela ausência do lar; mesmo a dor das humilhações e das injustiças, da pobreza e da ignorância, não eram tão fortes, tão intensas quanto a de se sentir preterido por Deus, a de não se saber porque se sofre, e o que significa existir, viver, amar ou odiar.

Este foi o papel do Espiritismo na nossa vida, iluminar os escaninhos da nossa alma, revolver o lodo sedimentado pelas ignorância, para descobrir um Mestre amoroso, que não salva com o seu sangue, mas ilumina com a sua sabedoria e bondade.

Hoje, já adentrando a velhice, sabendo muito mais do que no início dessa caminhada, aprendemos que nada sabemos e nos deixamos crucificar, não mais por dever, mas agora pelo nosso querer, só que essa cruz aponta para o alto, para o nosso destino transcendental, um caminho entre as estrelas, a indicar as galáxias que nos aguardam para o festim da bodas, cuja túnica nupcial estão sendo tecidas pelas feridas do mal de hansen, dos desequilíbrios da mente, e pela loucura de amar um mundo cheio de ódios e injustiças.

Nos momentos em que os acúleos do sofrimento se fazem acerados, ouvimos os cânticos de glória, não mais da boca dos anjos, mas no concerto dos mundos, coral gigantesco de estrelas, de galáxias. Mesmo assim não nos curvamos e nem permanecemos em genuflexão, porque sabemos que o Espiritismo nos verticaliza, irmanando-nos a todos para a glória de sermos espíritos imortais, caminhantes da luz, pirilampos agora, mas destinados a sermos maior que Sírius, um sol milhares de vezes maior que o nosso.

Guarulhos - SP