Artigos > Centro Espírita Celeiro de Luz > Textos


O treinamento no bem
Vítor Ronaldo Costa

O desenvolvimento natural desta desejada virtude implica no amadurecimento consciente do senso de moralidade, uma vez que uma coisa conduz à outra.

A seu turno, a busca da maturidade emocional constitui-se num treinamento para o espírito. É um exercício de paciência e fidelidade à causa crística e, de certa forma, envolve a tomada de algumas iniciativas oportunas, tais como:

1. Conscientização do bem
2. Auto-educação cm bases evangélicas
3. Ouvir e respeitar a opinião do próximo
4. Estimular o bom-ânimo das criaturas
5. Saber compartilhar
6. Amar incondicionalmente
7. Cultivar a alegria
8. Elogiar sempre que possível
9. Ajudar espontaneamente
10. Filiar-se a uma instituição assistencial

Conscientização do bem

A primeira atitude de quem deseja realmente se aprimorar no gerenciamento das emoções é reconhecer as próprias limitações e deficiências através de um bem conduzido trabalho de autodescobrimento. É preciso exercitar a humildade para ter "olhos de ver" e notificar as próprias propensões negativas, pois ninguém evolui sem manifestar desapego ao orgulho e à vaidade. O bom

trabalho de crescimento espiritual deve ser iniciado pela anulação dos maus pendores, substituindo-os progressivamente pelas virtudes desejadas.

A necessidade de ser bom, quando convertida em desafio permanente, melhora de maneira sensível a disposição solidária, e isto integra o processo de conscientização no bem.

Auto-educação cm bases evangélicas

As propostas evangélicas formuladas pelo Cristo são riquíssimas em valores pedagógicos. Equivalem à pérolas que repercutirão no futuro dos espíritos e, para as quais, os homens, desejosos de um bom aproveitamento na escola da vida, devem estar atentos.

O sermão da montanha, se lido, entendido e em essência incorporado ao nosso patrimônio cultural, na certa contribuirá para o refinamento das nossas atitudes em sociedade e no âmbito familiar, melhorando sobremaneira os mecanismos interativos com os semelhantes.

Se assim procedermos, conquistaremos progressivamente o estado de equilíbrio entre os influxos reflexivos, provenientes. da mente racional, e os reclamos impulsivos e desordenados, comandados pelo cérebro emocional.

Ouvir e respeitar a opinião do próximo

Uma das deficiências mais difundidas e maléficas do comportamento, em virtude de suas conseqüências imprevisíveis, é a facilidade em se desrespeitar a opinião do próximo.

O saber ouvir, com educação e interesse, infelizmente não é tão fácil como se imagina e constitui terrível dificuldade para a maioria. Alguns cultivam uma tendência a interromper a fala do interlocutor, rompendo, com freqüência e de forma deseducada, o curso do pensamento deste.

Em verdade, poucos sabem escutar e, menos ainda, admitir, sem contestações, as posições particulares de cada um em matéria de política, religião ou outro assunto de foro íntimo.

As críticas costumeiras, dirigidas pelo prazer de denegrir, polemizar e discutir, ocorrem de forma quase automática por conta do mau hábito estruturado. No

entanto, devem ser evitadas a todo custo, sem o que jamais nos libertaremos dos muitos defeitos arraigados ao "homem velho".

A construção do "homem novo", ou seja, aquele que melhor sabe administrar o seu patrimônio sentimental, implica na aquisição de novos valores educativos.

Respeitar a opinião alheia, sem se deixar contaminar pela empolgação do debate infrutífero, é sinal de progresso na luta pelo controle das atitudes. infelizes.

Estimular o bom-ânimo das criaturas

As exigências e a competitividade do mundo moderno colaboram para desestruturar o psiquismo de muitos. Na ausência de um melhor desempenho emocional, as criaturas enveredam pelos descaminhos da vida, imprimem desarmonias na tela consciencial e fabricam desordens complexas de natureza neurótica. Em decorrência, surgem os estados melancólicos e apáticos.

Na atual conjuntura, são tantos os portadores de reações depressivas, desiludidos com a vida e descrentes de tudo, que as instituições hospitalares especializadas, se tivessem de albergá-los, não os comportavam, tamanha a quantidade de enfermos Diariamente, é comum convivermos com vários doentes "espirituais", mas não os enxergamos como necessitados de tratamentos específicos e prosseguimos indiferentes aos problemas íntimos que os consomem, perlustrando os caminhos do mundo sem dar-lhes maiores atenções.

- Não seria mais evangélico de nossa parte se parássemos um pouco e os envolvêssemos com solicitude?

São tantos os desajustados a mendigarem migalhas de afeto. Mas o bom-senso, inerente aos mais sensíveis, de certa forma fala mais alto e adverte quanto à iniciativa inteligente a ser tomada: dispensação do bom-ânimo ao triste e incentivo carinhoso ao sofredor depressivo. Invocar o nome de Deus, no auge do sofrimento, e despertar a fé nos desiludidos do caminho não custa nenhum sacrifício a quem se julga saudável do corpo e da mente.

A simplicidade de coração, no socorro despretensioso, é o comportamento ideal de quem se esmera na disseminação do bom-ânimo, pela excelência dos resultados alcançados.

A pessoa amadurecida não despreza as oportunidades de servir, pois, em certas circunstâncias, um abraço fraternal, uma palavra de conforto, um convite à esperança são suficientes para salvar uma vida, demovendo do aflito a idéia de suicídio.

A palavra é dotada de um misterioso poder e contém uma energia capaz de produzir verdadeiros milagres. Se alguém manifesta inconsolável tristeza, é porque lhe falta uma perspectiva de vida diante das dificuldades.

E, nesse momento a mensagem positiva, se adequadamente formulada e em condições de sensibilizar o enfermo da alma, preenche o seu vazio existencial, o satisfaz emocionalmente e equivale a uma injeção de esperança e bom-ânimo

Saber compartilhar

O egoísmo é considerado uma chaga moral a infelicitar o patrimônio mento-afetivo das criaturas. Do egoísta não se deve esperar atitudes magnânimas ou gestos de solidariedade, nada que o inclua entre os seres reconhecidamente evangelizados ou com de níveis adequados de educação emocional.

O egoísta só se sente realizado quando pode dispor de tudo que esteja ao seu alcance. Alimenta a idéia fixa de ampliar os bens materiais e manifesta incontida ânsia de concentrar atenções em tomo de sua personalidade enferma, pois, em decorrência da incompetência emocional, além de se consumir em inveja, também é vaidoso.

Observações confirmam a incapacidade de qualquer iniciativa que evidencie um mínimo de maturidade espiritual por parte do individualista.

O comportamento infantil, que o caracteriza, contribui para que mobilize o seu potencial energético para satisfazer a própria insanidade, permanecendo indiferente às necessidades alheias.

É ponto pacífico que, no mundo de hoje, palco de intensas transformações psicossociais, cada vez é mais reduzido o espaço ocupado pelo egocêntrico.

A hora é daqueles que trazem no coração o germe do desprendimento das coisas efêmeras.

Os estudiosos do comportamento humano referenciam uma nova categoria de indivíduos plenamente ajustados às necessidades do momento. São eles os espíritos magnânimos da atualidade, os dispensadores de alegrias, criaturas que superaram as suas deficiências e optaram por uma participação saudável na escola do bem viver.

Constituem respeitável contingente de cidadãos qualificados por seus dotes afetivos. São os que sabem compartilhar, repartir e conviver em harmonia com a família, com os colegas de trabalho e, especialmente, com os estranhos.

E todos nós poderemos também integrar um dia esse honorável contingente. Só depende da nossa vontade.

Compartilhar alegrias e tristezas, sem esmorecer, e evitar desentendimentos ou discussões no grupo social a que pertença, é demonstrar maturidade para enfrentar situações conflituosas.

Se, diante das adversidades, alguém é capaz de concitar os demais à manutenção do equilíbrio, se consegue abrir mão de posturas geradoras de confrontos e manifesta o cuidado de resguardar o grupo das investidas desarmonizantes, é porque se encontra em condições de verdadeiramente compartilhar com os seus semelhantes e manter um elevado nível de satisfação e amor ao próximo.

Amar incondicionalmente

O universo infinito desafia cientistas e empolga os corações dos que acreditam em Deus. A misteriosa harmonia da mecânica celestial pode ser um enigma para os astrônomos e matemáticos, mas para os humildes e puros de coração, o amor é o responsável pela harmonia de todo o universo.

A energia sutil que permeia a vastidão sideral, penetra no infinitamente pequeno e vitaliza as microscópicas formas de vida, resplandece em outras dimensões espaciais e dinamiza a existência dos seres espirituais, dimana de um Poder que se nos foge ao entendimento e manifesta-se em nossos corações sob a forma de amor.

O amor de Deus é o ponto de partida, é o início de tudo. E nós, seres humanos, na qualidade de espíritos criados por Ele, herdamos de Sua bondade misericordiosa a potencialidade divina, o que nos confere a dignidade de deuses.

Por isso, não devemos resistir aos impulsos evolutivos da alma a convidar-nos ao exercício do amor incondicional, tal qual Jesus demonstrou por nós, imolando-se, no madeiro, por amor à humanidade.

Na qualidade de virtude essencial do espírito, o amor manifesta-se em qualquer circunstância da vida, patrocina a esperança, dinamiza a fé, promove o perdão, consola os aflitos, ameniza os sofrimentos e estimula os sentimentos enobrecidos que palpitam nos corações. Todavia, a sua manifestação autêntica e absoluta dispensa qualquer tipo de retribuição.

Não pode existir maior satisfação para o espírito amadurecido que a prática singela do bem, a doação sincera do sentimento afetivo e a entrega de sí próprio, espontaneamente, pelo simples prazer de patrocinar alegria e contribuir para a felicidade do próximo

Cultivar a alegria

Habitualmente, a criatura exibe um tipo de expressão facial reveladora do seu estado de espírito. Ou se apresenta entristecida, ensimesmada e indiferente aos

que a rodeiam, ou transpira alegria, otimismo e uma boa integração ao contexto social. A expressão fisionômica retrata fielmente a qualidade do humor que a anima.

A tristeza incontrolável é um estado negativo de espírito, reflete a amargura existente no coração, a dificuldade de adaptação às situações cotidianas e, se não revertida, culmina mais adiante em lamentável depressão de prognóstico reservado.

O fator educativo, sem dúvida, guarda uma relação marcante com o nosso comportamento, pois, de certa forma, vai condicionar futuros mais ou menos felizes, com maior ou menor expressões de alegria.

Habitualmente, as experiências não gratificastes contribuem para o desenvolvimento da tristeza crônica.

Se o indivíduo cresceu em ambiente repressor e agressivo ou vivenciou experiências .pessoais constrangedoras, tende a introjetar nos escaninhos do inconsciente os tais conflitos psicológicos não resolvidos e, a partir daí, é natural que transpareça no seu comportamento afetivo as reações emocionais típicas dos mecanismos de defesa do inconsciente, que nem sempre bem aceitos pelos circunstantes.

A rigidez facial dos que não saber rir pode ser um sinal de amargura íntima, um desequilíbrio emocional a solicitar terapêutica urgente e demais providências auto-educativas.

O cenho franzido envelhece o semblante, marca a fisionomia com rugas precoces e predispõe a criatura às mais variadas enfermidades.

O semblante alegre geralmente denota felicidade e, mais ainda, um bom estado de sanidade física e mental. A alegria é um estado de espírito que naturalmente contagia.

Habitualmente, preferimos estar sempre ao lado de pessoas alegres, divertidas, satisfeitas e de bem com a vida.

O mundo sente a necessidade de vibrar num clima de saudável alegria a fim de buscar o equilíbrio e a paz de espírito, tão sonhados.

Em verdade, não é difícil, quanto parece, cultivar este mágico estado de espírito, que só benefícios acarreta.

Um médico alegre e bem-humorado proporciona, com a sua presença, a melhoria comportamental dos seus enfermos. E, dessa forma, obtém significativas curas.

Um chefe de família que transpareça no semblante a marca da alegria, consegue um melhor relacionamento conjugal e um ótimo entendimento com a sua prole. Em decorrência, observa-se um lar bafejado pelo toque da felicidade coletiva, no qual os filhos convivem em clima de harmonia e respeito e se desenvolvem bem estruturados psicologicamente, tornando-se mais tarde cidadãos realmente úteis à sociedade.

O mesmo raciocínio pode ser transferido para o ambiente de trabalho. Se o espaço funcional abriga trabalhadores descontraídos e mentalmente saudáveis, há maior rendimento do serviço e todos contribuem para a manutenção do entendimento, da ordem e da harmonia.

A alegria traz vantagens e benefícios incontáveis para os nossos espíritos e saúde para o organismo. Por isso, deve ser tida como meta a ser alcançada pelos indivíduos inteligentes e evangelizados.

Elogiar sempre que possível

Imaginem o seguinte exemplo: um funcionário esmera-se no cumprimento de uma complicada tarefa, dá tudo de si em prol do objetivo, perde noites de sono, ultimando o projeto e, no momento de apresentá-lo ao chefe, não recebe deste nem sequer. uma palavra de agradecimento. Escuta, quando muito, uma frase tipo "deixe-o em cima da mesa que, quando eu tiver tempo, passarei uma visita..."

Apesar da consciência do dever cumprido, esse funcionário, lá no seu íntimo, fica frustrado e triste com o descaso do chefe. Não ter o próprio mérito reconhecido é sempre um motivo de decepção, por mais indiferente que se mostre, pois todo esforço realizador merece uma palavra de elogio.

Quantas vezes, na intimidade do lar, a dona de casa, após vencer mais um dia de trabalho, no qual fez a faxina geral, preparou o almoço, o jantar, o lanche, conduziu os filhos à escola, à ginástica, deu um toque de beleza na decoração ambiental e, à noite, ao recepcionar o esposo, este a cumprimenta com frieza e indiferença, sem pronunciar sequer uma palavra carinhosa ou de reconhecimento pelo seu trabalho. Quanta frustração por parte dessa pobre esposa!

O problema cruciante do inter-relacionamento humano é a maioria imaginar que a realização alheia seja sempre um dever, uma obrigação a ser cumprida e não mereça de sua parte o reconhecimento elogioso.

Aliás, a ausência do elogio nos parece marca registrada na sociedade atual. Uns não o concedem por ignorância pura, mas outros, deixam de fazê-lo por distração ou indiferença. O fato é que, em toda oportunidade, cabe uma palavra elogiosa.

Os filhos, principalmente os adolescentes, devem merecer dos pais o elogio preciso diante do fato concreto (uma nota elevada no colégio ou alguma façanha digna de destaque). Isto aumenta o respeito entre ambos e melhor qualifica o clima do lar.

Os exemplos seriam inúmeros, pois as oportunidades se desdobram, à espera apenas da iniciativa evangélica de cada um.

Elogiar é imprimir um toque de consideração e respeito ao trabalho alheio. Felizes são aqueles que não a chance do elogio oportuno e que, com este gesto, contribuem para a felicidade dos seus. semelhantes.

Ajudar espontaneamente

Este item sugere a junção de duas qualidades desejáveis: a generosidade, a se caracterizar pelo desprendimento material, e a dispensa de agradecimentos por algo realizado em prol de alguém, ou de uma coletividade, o que eqüivale dizer: ausência de vaidade e egoísmo.

A generosidade espontânea, desvinculada de intenções subalternas, conduz à prática do auxílio fraternal, sem que o indivíduo seja de alguma forma convocado. Uma coisa é atender um convite para participar de uma atividade beneficente e outra é a iniciativa própria, tomada de livre e espontânea vontade, apenas pelo desejo insopitável de ajudar a alguém ou a um grupo de pessoas carentes.

O processo de aprendizagem no bem requer tempo e aplicação de esforço nas matérias exigidas pela escola da vida.

Os desatentos ao programa caminham à margem do bem e com maiores probabilidades de enveredarem pelos descaminhos do mundo.

E mesmo os mais receptivos à pedagogia evangélica e, como tal, mais aptos ao desenvolvimento de suas potencialidades crísticas, cumprem estágios progressivos e evolvem, mais ou menos rapidamente, de acordo com as disposições íntimas, motivações e nível de conscientização, vez que ninguém chega ao topo de uma montanha sem escalar pacientemente as suas encostas íngremes.

A dor e o sofrimento, por comoverem os corações e despertarem certos sentimentos, revelam-se estímulos capazes de desencadear reações de compaixão e vontade de ajudar. Inicialmente, o aluno da vida, ainda preso aos impulsos egoísticos, milenarmente arraigados, sensibiliza-se mais facilmente com os problemas vivenciados pelos entes queridos e manifesta uma certa indiferença às aflições alheias.

Da nossa parte, este comportamento desigual não nos surpreende, pois entendemos a bondade como virtude passível de um treinamento autoconsciente continuado, aliás, como tudo na vida.

Mas, se o processo de maturação psicológica ocorrer dentro de padrões aceitáveis, o próprio tempo incumbir-se-á de desabrochar os sentimentos mais recônditos de modo a projetá-los em benefício dos semelhantes. Só dessa forma se consegue reprimir paulatinamente o egoísmo, já que a repressão dos maus pendores é o objetivo de todos, sem o que jamais alcançaremos a nossa redenção.

Com o passar dos tempos, ajudar ao próximo torna-se um hábito, salutar e espontâneo, que não exige um esforço inaudito.

O auxílio desinteressado, praticado de forma espontânea, qualifica o indivíduo a integrar o rol dos vitoriosos nas rudes batalhas terrenas. É pelo comportamento digno de quem sabe doar-se espontaneamente que mensuramos a grandeza espiritual de alguém.

A negação do auxílio, às vezes, contribui para o surgimento do remorso. Incomoda sensação, verdadeira seqüela afetiva resultante de um sentimento de culpa.

Por isso, é bem melhor para a nossa felicidade vivermos em paz com a própria consciência. A prática desinteressada do bem traz-nos alegria, conforto espiritual e uma sensação de indizível euforia.

Filiar-se a uma instituição assistencial

Certos procedimentos nos ajudam a perseverar no bem, especialmente quando ainda carecemos de estímulos para encetar a caminhada.

Nem sempre conseguimos realizar algo sozinhos, daí a necessidade de pertencermos a associações para, em conjunto, exercitarmos a caridade.

Quando muitos estão reunidos em tomo de um mesmo ideal, há uma excelente onda de reforço aos propósitos comungados e, se alguém fraqueja, os outros o chamam à ordem, sem permitir que a ovelha se desgarre do rebanho e se enrede nas teias do desânimo.

Assim deve funcionar as coisas quando nos filiamos a uma instituição assistencial. Mediante a divisão de tarefas, a pessoa aprende a trabalhar em equipe, o que é sempre salutar, e a compartilhar alegrias e tristezas, vitórias e insucessos, de tal modo que se disponha a ouvir as críticas, quando necessárias, aceitando-as como um estímulo à reavaliação de atitudes e a dividir regozijos em perfeito clima de convivência fraterna.

O trabalho em equipe, na assistência social, nos proporciona ótima oportunidade de realização construtiva e serve, em algumas situações críticas, de alentada terapêutica para muitos males.

Quantas vezes já escutamos de pacientes acometidos de reações depressivas queixas quanto à solidão que os acompanha diuturnamente e a falta de uma companhia que preencha o vazio existencial!

São indivíduos deliberadamente acomodados, frustrados em suas perspectivas afetivas e portadores dos mais variados tipos de conflitos. Este estado de espírito os tornam indiferentes aos convites daqueles que os estimulam a uma reação saudável. Curiosamente, consideram-se solitários, porém muitos cultivam uma vida inútil de vadiagem, de freqüência aos "inferninhos" e relacionamentos sentimentais fortuitos, na esperança de que tal procedimento traga-lhes equilíbrio e paz de espírito.

Divorciados dos aspectos enobrecidos do comportamento, desconhecem que a melhor providência terapêutica para os seus espíritos seria integrar uma instituição beneficente, onde pudessem conviver com criaturas otimistas, desprendidas, trabalhadoras, saudáveis e úteis à sociedade.

Bem sabemos os benefícios auferidos por aqueles que atenderam ao providencial chamamento e adotaram como estilo de vida a postura beneficente. A maioria apresentou considerável melhora de seu estado d'alma e se recuperou para o mundo após matricular-se inteligentemente na soberana escola da vida.

Do livro GERENCIANDO AS EMOÇÕES