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Você sabia?
Correio Fraterno do ABC - Boletim de Dezembro de 2000

  • O ex-banguela
  • Um Espírito, duas personalidades
  • Reencarnação
  • Evangelho desfalcado
  • "A Mediunidade e a Lei"
  • A cura pelas mãos
  • Um lindo caso de cura
  • Bibliografia
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    O ex-banguela

    O dirigente espírita enfrenta, às vezes, situações embaraçosas que exigem muito jogo de cintura. Conta-se que uma senhora simplória chegou, certo dia, numa casa espírita e inquiriu o dirigente: - O senhor que é médium vidente, consegue ver meu marido agora? - Não! Os fenômenos espirituais, Dona Valdevina, somente acontecem quando os Espíritos querem. Mas a senhora poderá ver o seu finado marido. - Como? - Em suas preces, repita sempre que quer vê-lo, e aguarde... Dona Valdevina foi embora e alguns dias depois voltou contente.- "Seo" Odorico, o senhor sabe mesmo das coisas. Disse que eu ia ver o meu marido e eu já vi. - Como foi isso, Dona Valdevina? - Um dia desses, eu sai do quarto e ao passar na sala para chegar a cozinha eu vi o retrato dele dançando sobre o móvel. Quando eu virei para me certificar se era verdade, lá estava ele, encostado no móvel, sorrindo para mim. Mas uma coisa me encabulou, "seo" Odorico. - O que foi desta vez, dona Valdevina? - No "outro mundo" tem dentista? - Por que me pergunta? - Porque quando eu enterrei o meu marido ele tinha umas "faias" de dentes e agora me apareceu com todos os dentes... - Pois fique sabendo que "lá" tem dentista, pois os dentistas também desencarnam. (1)

    Um Espírito, duas personalidades

    O Reformador checo João Huss, bacharel em Artes e Teologia, em Praga, onde foi Professor de Filosofia e mais tarde Reitor da Universidade, foi um bravo dissidente da Igreja Católica, que o envolveu num estranho e injusto processo que culminou com sua condenação à fogueira, no dia 6 de julho de 1415. Em mensagem psicografada por Chico Xavier, em 22 de setembro de 1942, Irmão X ( Humberto de Campos) informa: - "O Mestre aproxima-se do abnegado João Huss e lhe fala, generosamente: - O Evangelho do Amor permanece eclipsado no jogo de ambições desmedidas dos homens viciosos! Vai, amigo, abrirás novos caminhos..." "Daí algum tempo, no albor do século XIX, nascia Allan Kardec em Lyon..." (2)

    Reencarnação

    Joseph Richard Myers, eng. americano, acredita que a reencarnação pode ser provada cientificamente através do estudo de impressões digitais. Depois de longas pesquisas, ele identificou algumas de suas vidas anteriores. Na última, delas, acredita ter sido o escritor americano Edward Bellamy. Analisando este caso, o escritor brasileiro, espírita, Hermínio C. Miranda afirma: "Não há somente uma perfeita identidade de pontos de vista filosóficos, como tendências pessoais e até mesmo extraordinária semelhança física entre Bellamy e Myers." As fotos que ilustram este comentário mostram isso com bastante clareza. "Ainda que se queira admitir um processo consciente ou inconsciente de imitação, ao deixar crescer a barba e pentear os cabelos da mesma forma, há iniludíveis traços comuns, no formato do rosto e da cabeça, no traçado das sobrancelhas e na expressão do olhar."(3)

    Evangelho desfalcado

    José Jorge, estimado confrade do Rio de Janeiro, escritor e expositor tinha uma palestra marcada no Centro Espírita "Léon Denis", em Bento Ribeiro, no Rio. Rumou para lá e foi apresentado a outra ilustre visita, o não menos estimado confrade Romeu Grisi, de Votuporanga, SP. José Jorge quis que o visitante o substituísse na palestra, Grisi não só fez a explanação, como respeitou o tema do estudo sistematizado que era um tópico do "Livro dos Médiuns". Durante a palestra, Grisi contou que tinha o hábito de presentear seus empregados com obra de Allan Kardec, particularmente o "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Um dia, um dos seus empregados procurou Grisi e medrosamente, solicitou mais um Evangelho. - Como? - Lembrou-lhe Romeu - já não lhe dei um? Que fez você do livro que ganhou? Muito sem jeito, o empregado explicou: - Sabe "seu" Romeu, emprestei o meu Evangelho para uma amiga e ela me devolveu o livro assim!... O exemplar tinha emagrecido, faltava-lhe inúmeras páginas. É que, antes de devolver o livro, arrancou para guardar todas as páginas, cujo conteúdo lhe impressionara. Romeu Grisi não só deu um novo exemplar ao empregado, como quis visitar sua amiga, a quem deu, também, um exemplar do "Evangelho Segundo o Espiritismo", a fim de que ela não tivesse mais necessidade de subtrair folhas de outro exemplar alheio. Mas o seu interesse ardente pelas coisas do Evangelho é um exemplo que jamais será sacado de nossa memória. (4)

    "A Mediunidade e a Lei"

    No Brasil, já ouve uma época, dentro do período da ditadura de Getúlio Vargas, que a Doutrina Espírita foi posta à marginalidade. Suas reuniões e práticas passaram a ser controladas pela Polícia. Com a intenção de tapar o Sol com a peneira, o jurista Nelson Hungria redigiu um anteprojeto de lei para ser votado pelo Poder Legislativo. O Dr. Carlos Imbassay escreveu o livro "A Mediunidade e a Lei" e achando que era "persona grata" às ostes da Federação Espírita Brasileira, encaminhou o trabalho a ela, supondo que estava prestando uma colaboração à casa mater do Espiritismo. Enganou-se redondamente. O livro, em vez de ser editado, foi classificado como instigador. Quando Imbassay ponderou que havia uma necessidade de se rebater os ataques do novo projeto de lei, a FEB respondeu: - "Não devemos dar cartaz a eles!" (5)

    A cura pelas mãos

    O padre MacNutt escreveu o livro "The power to heal" (O poder de curar), onde procura demonstrar que a aplicação das mãos sobre o doente é realmente um meio eficiente de cura, cita as pesquisas realizadas na Universidade de New York, por um grupo de não-religiosos. E informa que no American Journal of Nursing, de maio de 1975, Dolores Krieger narra suas observações e as instruções que ministrou às enfermeiras daquela Universidade sobre como "estender as mãos sobre pacientes" visando a uma finalidade terapêutica. Em testes por ela efetuados, comprovou-se o aumento da taxa de hemoglobina no sangue dos enfermos. Está convicta de que a imposição das mãos (laying on of hands) enseja a emanação de uma "força natural" que, quando proveniente de enfermeiras sadias e imbuídas do desejo de ajudar a cura, realmente pode curar. O conceituado escritor espírita Aureliano Alves Netto, ao analisar essas colocações do padre Francis MacNutt, comentou: "Sem dúvi-da. Não só das enfermeiras, como de qualquer pessoa munida de boa vontade e bem assistida pelo Plano Espiritual" (6)

    Um lindo caso de cura

    Escreveu a jornalista Manuela Vasconcelos, portuguesa, que corriam os anos 80, quando a filhinha de uma das colaboradoras da Comunhão Espírita Cristã, de Rio Tinto (Portugal) estava em tratamento no Ambulatório do Hospital de São João, do Porto, de grave moléstia num dos pulmões, com algumas "cavernas". Apesar dos remédios, a enfermidade não cedia. Era inverno, bem frio no norte de Portugal, mas de manhãzinha a menina levantou-se e, descalça, foi ter com a mãe, à sua cama. Repreendendo-a pela falta de sapatos, lembrando-lhe o "dói-dói" que piorava, ouviu da criança resposta surpreendente: - "Eu já não estou doente, mãe! Esta noite, quando tu dormias, veio o velhinho de barbas brancas que me disse que me ira curar e, depois, eu já estava boa! É aquele ali, mãe!" E feliz, por poder identificar o "velhinho de barbas brancas" apontou uma foto de Bezerra de Menezes que existia em cima de um móvel, no quarto. Surpreendida, a mãe fê-la repetir tudo outra vez e outra ainda, e mais outra... e quando se convenceu que a filha lhe dizia a verdade, porque não havia variações na história e a menina não teve mais nenhum ataque de tosse matinal, arranjou-se, vestiu a pequena e foi ao Porto, para a consulta do Hospital. A médica da menina, ao vê-la inquietou-se: - Que passa? Não tem consulta hoje. Ela está pior? - Eu só quero que a examine, doutora! Por favor! Depois, eu conto... E assim aconteceu: primeiro, esperando encontrar a respiração de costume; depois, mais insistentemente, procurando o que não achava; levando a um colega, examinando-a ao raio-X.- Que aconteceu! - Ela não tem mais nada! Se não fosse eu a sua médica, diria que nunca teve nada! Que aconteceu? Aí a mãe contou-lhe que era espírita e que trabalhava num Centro Espírita... E descreveu-lhe a narrativa da filhinha. Na mesma semana, a a médica visitou o Centro, comprou os livros de Allan Kardec e buscou aprender o que é o Espiritismo. (7)

    Bibliografia:

  • (1) "Arquivo Pessoal";
  • (2) "Chico Xavier - Fonte de Luz e Bênçãos";
  • (3) "Anuário Espírita/1980";
  • (4) "Reformador"/agosto 1968;
  • (5) "Memórias Pitorescas de Meu Pai";
  • (6) "Caboclos, Índios, Pretos Velhos... e Outros Assuntos";
  • (7) "SEI nº 1664/Abril/2000.

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