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Visão dinâmica da Reencarnação
Vianna de Carvalho (espírito)

Revista de Espiritismo nr. 29 - Outubro/Dezembro 1995

O conceito anterior, a respeito do qual o processo da reencarnação do ser objectiva expungir os males praticados, pagar os erros cometidos, ressarcir as dívidas pretéritas, cede hoje lugar a uma visão mais dinâmica e menos punitiva desse recurso indispensável à evolução.

A dor é mecanismo natural do fenómeno da vida e não apenas imposição rectificadora.

Certamente, em muitos casos, torna-se pedagoga e terapeuta para ocorrências e pessoas, conclamando estas últimas à reflexão, ao amadurecimento, à correcção e ao aprimoramento dos actos.

Nem sempre, porém, é resultado dos erros passados, mas também o é dos sucessos naturais da escalada evolutiva.

O amor, sim, é lei da vida, trabalhando o indivíduo para o desdobramento e consciencialização dos valores que nele jazem em germe.

A reencarnação é impositivo do progresso, que faculta o crescimento do espírito, propiciando-lhe a identificação e a assimilação dos relevantes objectivos a que está destinado.

Através dela, quando equivocado, se recupera; quando em indisciplina, se reeduca; quando em deficiência, se aprimora, adquirindo sempre experiências novas, que incorpora ao íntimo património de natureza intelecto-moral.

O resgate dos erros e dos crimes cometidos, dá-se não apenas mediante o sofrimento, mas igualmente através de realizações edificantes, dignificadoras que o amor proporciona.

Graças à reencarnação, o espírito calceta desperta para a realidade da sua vida imortal e termina por compreender a grandeza do ensejo que lhe é facultado, aprendendo que as realizações positivas possuem os recursos para diminuir-lhe a carga perniciosa das realizações infelizes, que lhe pesam na economia da evolução moral.

Face ao arrependimento, quando alguém se consciencializa do mal que praticou, predispõe-se à expiação do delito, isto é, ao inevitável sofrimento dele decorrente, assim encorajando-se para a reparação.

Essa reparação não se restringe apenas à área do erro, ou da pessoa a quem se haja prejudicado (...).

Dessa forma, à medida que o ser se eleva, menos penosa se lhe torna a marcha, por compreender o significado da oportunidade do renascimento na carne, ampliando-lhe o elenco das actividades dignificadoras, que lhe facultam melhores disposições para o avanço, para o crescimento ilimitado.

Os impositivos da dor-resgate ocorrem nas faixas mais primárias da evolução, da consciencialização pela falta de sensibilidade do ser para aperceber-se das vantagens do bem, enquanto transita nas experiências mais automatistas.

Assim, a fatalidade do sofrimento na Terra cede espaço para uma visão nova da Justiça Divina, que proporciona a descoberta dos tesouros do bem ao alcance de todos quantos se resolvem pela mudança de atitude, transferindo-se dos impulsos da violência, do orgulho, do amor-próprio, para as bênçãos da pacificação, da humildade, da solidariedade, do bem que podem fazer.

A cada instante, dessa forma, modifica-se o destino, altera-se a rota evolutiva, ameniza-se a aspereza da marcha, alargando-se a paisagem da auto-iluminação.

A criatura não mais se sente infeliz, graças à alegria pessoal de ser útil; não mais se apresenta solitária, em razão de ser solidária; não mais se insurge contra as provocações, por saber valorizá-las em favor da renovação do entendimento; não mais se molesta com os problemas, pois dispõe dos meios para solucioná-los, predispondo-se a fazê-lo imediatamente...

Cada hora constitui-lhe precioso investimento que passa a aproveitar com sabedoria, e não pára a relacionar dificuldades porque reconhece que ao superá-las experimentará os impulsos que o promovem a patamares mais altos na escalada ascencional.

A reencarnação, embora portadora de objectivos de depuração, é, também, meio saudável de conquista da beleza, da saúde, da plenitude.

Graças a ela, nada se perde, quando útil e providencial, assim anulando as acções perturbadoras e fazendo cessar os seus efeitos danosos, onde se demorem.

Propicia a luz da reparação que dissipa todas as sombras da mágoa, da rejeição e do ódio.

A dor, assim colocada, igualmente constitui lição, que alguns espíritos elegem, a fim de ensinarem àqueles portadores de menores resistências como comportar-se, quando incursos nos seus estatutos providenciais.

Tais foram os exemplos de muitos espíritos nobres como Sócrates, Estêvão, Francisco de Assis, Teresa d’Ávila entre outros, e, sobretudo, Jesus, o ser mais perfeito que jamais transitou na Terra, nosso modelo ideal e guia seguro.

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, em 7 de Agosto de 1995, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador-Bahia, Brasil.