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Chico Xavier vai se comunicar
Fátima Farias

O doutor Eurípedes Tahan acompanhou Chico Xavier, clinicamente, durante 27 anos. Décadas suficientes para consolidar muito mais do que uma relação médico e paciente. A parceria entre eles ultrapassou os limites da amizade e evoluiu para o das confidências. Tive a oportunidade de conhecer o médico quando estive em Uberaba com amigos, na Semana Santa, e recentemente batemos um papo telefônico sobre os últimos dias de Chico Xavier aqui entre nós.

Chico, com o alto grau de interação que tinha entre os planos terrestre e espiritual, podia avaliar que a sua viagem repercutiria em muitos aspectos. Um deles, a possibilidade de aparecer “médiuns” de plantão, que dirão haver recebido mensagens sua do Além. Quanto a esta comunicação, Chico confirmou para o Eurípedes (médico), Eurípedes (filho) e a amiga Kátia que o faria, mas preveniu-se. Deixou com os três uma espécie de código, com detalhes que só eles saberão identificar a veracidade, ou não, de que seja dele realmente.

Diante disso, não convém para os pseudo-médiuns arriscarem. É bom esclarecer, para quem desconhece, que não se pode dar crédito a qualquer pessoa que se diz médium e não trabalha com disciplina, pois existem os que inventam mensagens. Isso quando não são mistificados pelos próprios espíritos que ainda não atingiram um grau de evolução compatível com a média. Chico Xavier foi o praticante número um do Espiritismo e da verdadeira mediunidade, durante 75 anos, dos seus 92 de idade. Portanto, quando ele se comunicar temos como saber se assim o é.

Mas que não fique se nutrindo tanta expectativa neste sentido. Vamos deixar nosso Chico em paz, com seu novo tempo, vivendo sua nova realidade. Guardemos com carinho seu exemplo de vida, sua incomparável missão entre nós. O doutor Eurípedes Tahan me contou ainda que Chico não verbalizou, mas previu que sua hora estava chegando. Durante a semana que precedeu o seu desenlace (morte) comportou-se como uma despedida. Visitou vizinhos, coisa que não fazia há anos, e agradeceu “por tudo”, foi à cozinha, numa das suas obras assistenciais, onde se distribui alimentos. Outro fato, dentre outros, que chamou atenção foi ele perguntar se já tinham acertado as contas com dona Amélia (uma das pessoas que o acompanhava) visto que não precisaria mais de seu trabalho.

Lamentavelmente faltou tempo para o doutor Eurípedes despedir-se do amigo. Foi chamado às pressas, mas quando chegou Chico Xavier já havia subido para a festa que os anjos prepararam para recebê-lo, regada à muita luz e paz, no mundo celestial.

Publicado em coluna dominical do jornal O NORTE, João Pessoa – PB, em 14.07.2002