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Eles morreram e voltaram
Fátima Farias
Sempre conhecemos ou já ouvimos falar de alguém que esteve nas fronteiras da morte e conseguiu voltar à vida. Este fenômeno é conhecido, cientificamente, como Experiência de Quase Morte ou EQM. É comum ainda estas pessoas, quando vivenciam a situação, passarem a encarar a vida sobre outra ótica. Tive a oportunidade de checar tudo isso com o meu colega jornalista Genésio de Sousa Neto (Genesinho) e minha prima Lourdes Almeida (Lico).
Vítima de um acidente, Genesinho passou dezesseis dias em coma profundo. Para ele, tudo parecia um sonho, refletido numa grande tela. A única vantagem, era estar inconsciente da sua realidade, porque do lado de cá parentes e amigos viviam sobressaltados, com a expectativa da notícia, de a qualquer momento ele ir embora para outra dimensão.
Conforme me revelou Genesinho, estava fisicamente preso a um leito de hospital, mas na sua mente o que povoava era um ambiente completamente diferente e livre. Via recantos em que o cenário era céu aberto, praças, e outros lugares que ele nunca tinha visto antes, mas sabia, no entanto, que um deles era no Rio de Janeiro. Num dado momento, ele conta que viu um ser, vestido de branco, lhe tranqüilizando em relação à morte. Quando recobrou os sentidos surpreendeu-se com um longo corte cirúrgico.
E o que mudou depois desta experiência? Tudo. Pelo menos foi o que ele disse. A começar pela maneira de ver a vida, sobre outro ângulo, e valorizar ainda mais sua vida espiritual junto aos seus familiares, além de, é claro, haver se aproximado mais de Deus e passou a freqüentar mais sua igreja. Mas nisso tudo, existe um ser especial que na ocasião fixou-se nitidamente na mente de Genesinho - Nossa Senhora - cuja visão permanece até hoje. Ele atribui a ela graça de haver voltado à vida.
Já minha prima Lico, na década de 70, após um choque anafilático, teve uma parada cardíaca e passou três dias em coma. Desenganada pelos médicos, chegou a receber até extrema-unção. Ela conta que viu um túnel escuro e um linda luz ao fundo, cujo brilho se movia em alguns instantes para mais perto e mais longe. Quando acordou, perguntou se era o dia seguinte, mas continuou vendo a luz por um bom tempo, bem como dois seres na cabeceira da cama. Até os médicos se surpreenderam com a sua volta à vida e passaram a chamá-la de "Baraúna do Cariri"
Vinte anos depois, submeteu-se a uma cirurgia de vesícula e vítima de erro médico a mais quatro cirurgias consecutivas, que provocou uma grande perda de peso. Desta vez, não entrou em coma, mas na fragilidade de seu estado teve nova visão: "um céu com nuvens infinitas, havia um coreto com teto que era um brilhante só, além de dois seres vestidos de branco". Interpretou isso como uma bela revelação divina. A partir destas experiências, Lico enxerga a vida sobre outro prisma. Antes supervalorizava o supérfluo e agora o destaque está focado na essência da vida: a alma, solidariedade, respeito, fraternidade...
"Voltei para retribuir tudo isso ao meu próximo. É um compromisso que tenho com Deus, procurando sempre ser fiel à sua palavra e melhorando a vida do meu irmão. Fujo das orações tradicionais e converso intimamente com Deus, espontaneamente. Ele é algo que está tão próximo como um amigo que está comigo toda hora".
Eis o motivo que justifica a sua energia de hoje, conforme ela diz, de estar sempre "agradecendo e festejando a vida".
O Norte - 16 de fevereiro de 2003