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Ainda bem que vivo agora
José Lucas
Ainda bem que vivo agora, assim desabafava uma senhora após ver a exposição em Óbidos (Portugal), sobre métodos de tortura do tempo da “Santa” Inquisição. Um expressão que despoleta considerações, sobretudo se formos apologistas da reencarnação.
Vivemos num mundo cheio de coisas boas, assim como pleno de maldades nem sempre imaginadas. Todos nós já ouvimos falar de torturas em Timor Leste, na China, em Angola, entre outros países. Diz-nos a razão que onde houver guerra, ela aí está, a tortura, qual irmã gémea dessa impiedosa sombra da evolução humana que é a luta mortal entre homens. A comprovar essa assertiva estão os relatórios anuais da Amnistia Internacional, autêntico baluarte dos direitos humanos no mundo, a catapultar o homem para novos conceitos de humanidade e respeito mútuo, que não deixa de apontar os inúmeros métodos e locais onde essa prática primitiva ainda permanece, dando os últimos estertores, neste mundo que caminha inevitavelmente para uma situação social melhor.
Mas, voltemos à expressão da senhora que perto de nós acompanhava com vivo interesse esta exposição. Dizia ela :«Ainda bem que vivo agora».
A tortura de outrora é responsável por muitos distúrbios psíquicos de hoje
A grande maioria das pessoas encara estes factos como coisas do passado, e como tal, pertença dos outros (que nesse passado viveram). A realidade, no entanto é bem diferente, já que de acordo com as evidências científicas da realidade da reencarnação, todos nós já vivemos antes e possivelmente viveremos muitas mais existências carnais, após esta vida. Assim sendo, é possível que muitos de nós tenhamos responsabilidades nas arbitrariedades da Inquisição, já que em grande parte deambulamos pelos quadros da igreja católica, no passado. Outros viveram na pele essas mesmas torturas, situações essas que hoje se reflectem como reminiscências, que por vezes são somatizadas, sob a forma de várias marcas, patologias e/ou tendências. Assim, encontramos aquela pessoa que não suporta actualmente usar camisolas de gola alta, por ter sido enforcado ou torturado ate à asfixia numa vida anterior. Aquele outro, poderá ter fobias múltiplas, a manifestarem-se no quotidiano sob a forma de distúrbios do comportamento, sem que a psicologia atine com as causas. Felizmente a moderna psiquiatria e psicologia, adentrado-se no campo da psicologia transpessoal, entendendo o homem como um somatório de corpo e espírito, vem logrando grandes resultados no campo das Terapias Regressivas a Vivências Passadas (praticada por vários médicos da capital portuguesa), libertando pessoas de traumas do passado, mal arquivados e que se reflectem no presente sob a forma de distúrbios de comportamento sem causa definida no presente.
Nascer, morrer, renascer, progredir sempre, tal é a lei
Outro conceito poderíamos retirar desta análise. É que, quando o homem se consciencializar da realidade da reencarnação, deixará de utilizar estes bárbaros métodos, interiorizando a certeza de que o seu amanhã será o somatório do que fizer hoje, dando razão àquele aforismo popular de que quem semeia ventos colhe tempestades. Conhecedor da Lei de Causa e Efeito, que rege o universo, o homem preocupar-se-á mais em granjear situações que sejam abonatórias para si, procurando galgar os degraus da evolução o mais depressa possível, não a retardando com o exacerbar dos espinhos do nosso íntimo ainda não burilado.
De resto, o fundamental é reter a realidade da vida espiritual, pós-morte, a desdobrar-se pelos infinitos caminhos de que a vida dispõe, bem como da certeza de que “Nascer, morrer ,renascer, progredir sempre, tal é a lei”. Estamos certos de que estes conceitos serão a chave mestra que largará o mundo para novos horizontes mais felizes e radiosos, em que o homem fará da fraternidade e ajuda mútua o seu cavalo de batalha.