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Preocupações e tempos que passam...
Realidades que não notamos
Moisés de Cerqueira Pereira

Fazia tempo que não trabalhava com esta Médium, nos encontramos na sala Mediúnica, logo nos cumprimentamos, nos entendemos e nos dirigimos ao local de trabalho...

Muito bom quando temos a oportunidade de trabalharmos com pessoas totalmente comprometidas com a bondade em todos os sentidos, no caso da incorporação não é diferente, as “Entidades” manifestam-se com uma realidade percebível, além deste fator a favor, todo o ambiente fica envolvido com os objetivos reais dos trabalhos.

Quando a Médium se preparou eu também já estava atento...

O Assistido sentou-se no banquinho em frente a Médium, dei-lhe boa noite e pedia a ele que mentalizasse o seu lar e que confiasse em Deus, deu-se assim o processo de envolvimento, sentei-me ao lado da Médium já envolvida e o Assistido foi retirado por uma Trabalhadora da Sala Mediúnica para o passe de imposição de mãos...(Muitas Casas Espíritas não permitem que os Assistidos ouçam as doutrinações, outras já permitem... Eu já tenho a opinião de que a prova educa).

A Entidade se manifestou toda inconformada com a sua situação e não compreendendo onde estava, prometia retornar para o local de onde havia sido retirada, não entendia porque decidiram levá-la a determinado local já com o intuito de lá deixarem ela...

Resmungava e se revoltava...

Afinal, dizia a Entidade, foram tantos anos de trabalho e de dedicação para conseguir fazer a sua casa e agora queriam expulsá-la...

Eu tentava envolvê-la nas minhas palavras também com o interesse de colocá-la ao alcance de sua realidade, mas toda vez que tentava articular uma palavra a Entidade menos compreendia...

Procurei então chamar a sua atenção, passei a defender os pontos de vista dela, para conseguir confiança e a atenção que precisava para dar uma boa continuidade ao diálogo e fui falando:

[D=Doutrinador] [E=Entidade]

[D]
- Mas o que está acontecendo?

[E] - Eles... Eles me trouxeram aqui já com o objetivo de aqui me largar, me abandonar e prometo que aqui não fico.

[D]
- Por que tanto receio com este lugar?

[E]
- Aqui é onde abandonam as pessoas... Aqui não quero ficar... Eles não podem fazer isso comigo... Depois de tanta luta... Eu não vou ser passado para tráz.

[D]
- Você não sabe o que aconteceu?

[E]
- Não sei do que você fala... E já disse aqui eu não fico.

[D]
- Quantos anos você tem?

[E]
- Eu não sou velho. Veja eu tenho 40 anos ...

[D]
- Você é um homem ou uma mulher?

[E]
- Sou um homem tenho 65 anos.

[D]
- Veja há duas moças ao seu lado, fique calmo, dê as suas mãos a elas e vamos conversar... Faça isso.

[E] - Não vou deixar que ninguém me segure... Já disse aqui eu não fico.

[D] - Calma, confie em nós... Se eles te deixaram aqui abandonado, o pessoal desta casa te prestará atenção, não te abandonará, ficará com você.

[E] - É isso mesmo que disse... Eles me abandonaram de propósito, pois querem se apossar do que é meu... Eu não vou ficar aqui neste internato... Já conheço estas casas, eles nos trazem e você nos amarram.

[D] - Olhem bem ao lado...Veja quantas crianças correm e brincam naquela sala.

[E] - Sim... Já estava percebendo... E daí?.

[D] - Veja também quanto jovens andam livremente... Sorridentes e alegres, ajudam em todas as partes.

[E] - Sim há alguns destes moços ao nosso lado... Também não entendo.

[D] - Deixe que as moças se aproximem de você... Deixe que elas peguem em suas mãos... Irão conversar com você e te esclarecerão algumas coisas que não entende e verás o quanto ficará grato... Venha não tenha medo.

[E] - Não sei, está tudo tão estranho e já me perdi das pessoas que aqui me trouxeram.

[D] - É, eles já foram e você ficou só e ainda não te amarramos e nem te amarraremos.

[E] - Hummmm!

[D] - Acalme-se e sente-se ao lado destes que estão ao nosso redor, confie... Iniciarei uma prece e você vai ver algumas imagens e compreenderá o que está acontecendo.

[E] - Não sei não... Vejo algo errado com a minha cabeça... Tudo passou a ficar confuso... Nem me lembro direito de onde eu vim e ainda tenho uma preocupação... Só quero voltar a minha casa.

[D] - Preste atenção... Eles vão te ajudar, feche seus olhos e preste atenção, veja quanta coisa aconteceu e quanto tempo já passou... veja!.

Iniciei a prece do “Pai Nosso”...

Orei com tranqüilidade e aguardava as novas revelações da Entidade que também mostrava-se surpreendida com o que tinha observado.

[D] - Então como você está? Compreendeu a razão de tanta confusão de sua parte?

[E] - Eu.... Eu... Já morri a tanto tempo e nem percebi... Meus familiares também já saíram desta casa a tanto tempo que nem percebi... Estes outros eu nem conheço e os perturbava tanto e sem motivo... Meu Deus... Como pude?... O que eu fiz?... Não sei o que dizer... Já se passaram tanto tempo e eu ainda estou aqui perdido e confuso.... Como pode?...Como pode?...

[D] - Bom... Ainda bem que compreendeu... Compreendeu com bastante facilidade as cenas que eles te mostraram... Veja eles só querem o seu bem... Isso que vinha tentando lhe dizer.

[E] - Mas o que vou fazer? Devo desculpas aquela família... Eles não tinham nenhuma culpa.

[D] - Não se preocupe... Melhor agora é você acompanhar estes que estão ao seu lado... Creio que você até reconhece alguns.

[E] - Sim... São meus conhecidos... Mas... Mas ainda não compreendo como isto pode ser... Eles até me pedem para acompanha-los... É!... Não há outro caminho a seguir... Devo ir com eles.

[D] - Vá com Deus e confie... O tempo preciso já passou... O melhor é seguir esta nova vida.

[E] - Vou... Vou.... Vou sim... Muito Obrigado... Eu... Eu... Eu não sei o que falar.

[D] - Graças a Deus!

Encerramos este trabalho com mais um aprendizado...

A certeza que muitos dos espíritos que nos perturbam podem estar mais confusos e incompreendidos da situação em que estão vivendo do que nós na nossa situação de agredidos...

É isso aí.

(Moisés de Cerqueira Pereira atua em Atividades de desobsessão e em desenvolvimento pratico mediúnico).


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