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Socorram meus filhos...
Moisés de Cerqueira Pereira

Nestes trabalhos que vou relatar confesso que fiquei sem ação após eles terem sido realizados, pois nos trabalhos Espíritas tudo é novo, surpreendente, magnífico e altamente instrutivo.

Esta novidade que digo, principalmente para o iniciante nas “Atividades Espíritas”, deve ser entendida em contra-posição aos ritos e rituais que se mesclam com uma liturgia formatada das religiões existentes, onde ao participarmos somos mais um a adentrar a esta coreografia comportamental que em nada edifica o Espírito.

A Médium apresentou logo ao incorporar um comportamento desesperador, a Entidade manifestante rogava por ajuda e gesticulava também para deixar bem claro a que viera...

Pedia ajuda insistentemente...

Implorava por auxílio e complementava com a frase “Pelo amor de Deus”.

Iniciei-me no diálogo com o Espírito solicitando calma e falando que ela estava num lugar correto, pois ali era um “Pronto Socorro” e os Trabalhadores deste hospital já estavam prontos para auxilia-la...

Ela mostrou-se indiferente as minhas palavras, pelo que percebia e novamente implorava socorro com urgência...

Repetia sem parar que precisava de ajuda e dizia ser urgente...

As coisas para mim não estavam bem definidas e novamente falei-lhe que estava num local de Socorro Emergente e que ela deveria se acalmar, pois com a confiança dela e a calma tudo se resolveria...

Novamente gestos e palavras apontavam para um desespero e um pedido de ajuda sem tréguas.

Respirei fundo e fechei os olhos, como a me concentrar e pedi calma outra vez e novamente procurei esclarecer o local em que ela estava e o papel da Casa em relação aos sofredores...

Ela novamente pedia ajuda e implorava urgência neste socorro que solicitava.

Pedi a Ela que falasse com calma e que estávamos ali para auxilia-la no que for preciso e que só era preciso que ela falasse...

No que Ela completou:

[D=Doutrinador] [E=Entidade]

[E] - Vocês, vocês, vocês precisam me ajudar... Urgente, vamos é urgente, vocês tem que me ajudar... Por favor!... Por favor!... Pelo amor de Deus me ajudem!... Venham me ajudem... Rápido.

Divisei na mente a gravidade de suas palavras e procurei rapidamente conectar-me aos seus pensamentos e através das palavras dela optei por uma missão de ajuda...

Fui intuído para um resgate, mas ainda não estavam claro muitos fatos em minhas conclusões...

Coloquei-me ao lado do Espírito, como a defender os seus interesses e continuei a falar:

[D] - Precisamos saber o que precisa, por isso diga aos “Irmãos Espirituais” que estão ao seu lado prontos para seguir contigo para o que precisares.

Foi aí que a Entidade se acalmou um pouco e confiante na ajuda que estava pronta, começou a falar como a seguir por um caminho guiando outros que a seguiam:

[E] - Rápido, rápido, por aqui... Os meus filhos, os meus filhos... Vocês precisam ajudá-los... Venham, Venham... Os meus Filhos, eles precisam de ajuda... Rápido!... Venham... Venham... Por favor, venham... Os meus filhos, Sei onde eles estão e precisam de ajuda, eles não podem ficar comigo, eles tem que vir com vocês... Rápido, rápido.... Eu sei que vocês podem ajuda-los, eu sei... Venham, venham...

Percebi que já não estavam mais no mesmo ambiente e no mesmo local, procurei falar palavras de segurança e confiança...

Disse-lhe que confiasse que seus filhos seriam resgatados e levados para serem ajudados, uma equipe toda especial estava com ela e bastava ela guia-los que tudo já estava sobre controle...

No que ela confirmou e dizia que sim e que amava muito seus filhos, mas não podia ficar com eles e que era preferível que nós os recolhêssemos e que ela sabia o que estava fazendo e que era para o bem das crianças...

Disse que sabia quem éramos e os benefícios da Casa...

Após estas palavras a entidade mostrou-se emocionada e disse que agora estaria com a consciência mais tranqüila...

Que havia perdido a razão e a responsabilidade, desesperara e perdera a noção das atitudes tomadas, um misto de loucura e pânico fizera dela um monstro para seus próprios filhos, disse também que sabia dos seus atos e sabia o que mereceria, mas que as crianças mereciam a ajuda que ela não podia dar mas sabia existir, por isso tomou a decisão de ir ao Socorro Espiritual...

Sofrera muito pelo caminho e pelo tempo, mas agora estava tudo resolvido...

Seus filhos estavam a salvo.

Desconfiei da intenção dela e fui logo falando:

[D] - Assim como seus filhos foram ajudados, você também receberá a mesma ajuda e a mesma atenção e que ali não era um local de julgamento e que todos que estavam ali a ajudando um dia também receberam esta ajuda que estava sendo oferecida a ela e as crianças.

Ela recusou, mostrou uma postura decidida, agradeceu a Deus e a ajuda aos filhos oferecida pelos “Irmãos Espirituais” e foi dizendo que não, que não, que não, que não e mostrou um comportamento como que saindo....

Insistia, mas não havia jeito, ela sempre recusando e reafirmando que ali não era o seu lugar, não no momento...

Disse a ela então que levasse este livro que os “Irmãos” estavam oferecendo a ela...

Houve um silêncio por parte das manifestações do Médium...

Respondi com um “ Graças a Deus”...

Entendendo que ela havia se retirado...

A Médium disse-me que ela saiu com algo embaixo dos braços como um livros...

Cabeça baixa e decidida saiu e sumiu...

Fez uma avaliação do ocorrido e suspirou também emocionada...

Não posso dizer se seus filhos foram suas vítimas, mas os fatos apontam para uma história trágica...

Confiemos em Deus.


(Moisés de Cerqueira Pereira atua em Atividades de desobsessão e em desenvolvimento pratico mediúnico).


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