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O bahiano da consulta
Moisés de Cerqueira Pereira
Frequentava o Centro uma Senhora, algumas vezes ia com suas duas filhas, outras vezes sozinha...
Outros parentes seus também frequentam a nossa Casa Espírita...
Mas a verdade é que ela freqüentava a nossa Casa Espírita a algum tempo...
Veio conversar comigo, dizia não se sentir bem durante as últimas semanas...
Disse-me que sentia uma pressão na altura da nuca e havia períodos de mal humor insuportável durante estes dias, ao ponto de perder a paciência com as filhas e até outras pessoas...
Conversamos mais um pouco, lhe disse para assistir a “Palestra” e que no momento do “Passe” procurasse falar comigo...
Chegando a vez dela tomar o “ Passe” fui procurado pelos colegas do atendimento e então a encaminhei para a Sala de Desobsessão...
Preparei três Equipes Mediúnicas (doutrinador e médium de incorporação) e pedi a ela que se concentrasse e pensasse em Deus, no amor, na paz e que também mentalizasse sua casa...
Disse que procurasse visualizar a sua casa, cômodo por cômodo....
Solicitei amparo a Equipe Espiritual... E que os irmãos necessitados (espíritos), que por ventura estivessem envolvidos nesta situação fossem encaminhados aos Médiuns para os trabalhos...
Terminei esta pequena alocução com o “Graças a Deus”...E segui para uma das equipes para o acompanhamento dos trabalhos...
Pedi permissão ao Doutrinador desta equipe, na qual fui atendido e comecei a Doutrinação, O Espírito que se manifestou, veio dando fortes gargalhadas, sorria com um certo sarcasmo, e intimava... Sorria e intimava... Deixei que ele assim se manifestasse para que pudesse perceber melhor e compreender com mais atenção a situação...
Percebi que ele, o Espírito, estava seguro pela Espiritualidade (preso)...
Depois de tantas outras gargalhadas ele, o Espírito, foi falando rapidamente como a acusar a “Assistida” :
_ Na hora que precisou do Baiano, foi lá me consultar e pedir meus favores, agora que a coisa esta feia, corre para buscar ajuda em outra “Casa”, é sempre assim... Pede e consegue, mas não hora que cobro foge para outras bandas... Só que comigo, não é assim, uma vez estando em minhas mãos sempre estará nas minhas mãos, uma vez que pediu meu favor eu domino e ninguém escapa dos meus interesses... Você é minha e não vai me escapar...
E voltava as gargalhadas... Tentei um contato, no qual fui recebido com boas e ruins ameaças...
Dizia-me quem eu era e se eu sabia com quem eu estava falando... Disse-lhe que não, mas que os Amigos Espirituais sabiam, tanto que o buscaram e disse-lhe se ele também sabia com quem ele estava falando...
Novamente gargalhadas e mais gargalhadas...
Pelo comportamento do médium percebi que me olhava de cima em baixo, me medindo e sorria novamente sem parar e naquelas sinistras gargalhadas, se apresentava...
Aí tomei a iniciativa, pois sempre confiei estar bem amparado pelo Plano Espiritual, não só eu claro, como toda a Casa Espírita... Disse-lhe:
_ Bom... Irmão a casa caiu, creio que você perdeu seu serviço e seus servidores, eles os nossos “Amigos Espirituais”, sabem de Você e como vinha atuando... Tudo tem sua razão de ser e até agora você agiu livremente, mas eles também querem ajudá-la (a assistida), e Eles tem sabedoria em suas ações e amparo do alto para tal empreendimento, compete agora você não se debater muito (pelo ação do Médium o espírito se contorcia, como querendo fugir a cada palavra que eu emitia)... Não há como você escapar... Você está preso e vai ser levado, melhor cooperar...
A cada palavra que falava mais nervoso ele ficava...
Apelava para os nossos ensinamentos:
_ Cadê!, Cadê!... Cadê o respeito ao meu Livre-Arbítrio?... Todos temos o Livre-Arbítrio, não é isso que vocês também ensinam também?... Não é isso?... Respeitem meu Livre-Arbítrio... Respeitem... Ou irão se arrepender... Escutem bem... Para depois não vierem falando que não avisei...
Ele parecia um grande conhecedor dos direitos próprios (só para ele e seu poder), mas não respeitava os dos outros...
No que eu disse a Ele (o Espírito):
_ Engraçado, você tem direito ao seu Livre-Arbítrio e o quer usa-lo incondicionalmente, mas a nossa irmã que aqui veio, não tem?... Por que será?...
Aí Ele parece ter usado suas mais ferrenhas forças, notado por mim pela ação do Médium, E anuiu:
_Ela foi lá e pediu favores e nos fez oferendas... Lá foi e estava freqüentando, estava aos nossos cuidados era uma de nós... Portanto nos pertence... Ela não pode nos deixar...
Aí completei:
E ele, como sempre, a tudo e a todos retrucava com violência e arrogância... Dizia-me que lá, no local dele, quem fazia as leis era ele....
Silenciei e pedi a ele que prestasse atenção e disse-lhe que iríamos fazer uma prece e que com a prece ele ficaria mais calmo e conversaria com mais atenção e também com os Esclarecimentos dos “Irmãos Espirituais” ele aceitaria o bem oferecido em ajuda a ele e aos seus companheiros (escravos, espíritos submissos)....
Fizemos a prece e enquanto fazíamos ele ia amolecendo e tipo enfraquecendo....
Começava a falar com uma certa moleza... E foi soltando como que meio sonso ou hipnotizado, ou algo parecido... Foi falando:
_ Enquanto estava vivo... Tive a vida inteira em dificuldades... Nunca consegui nada que não fosse produto do roubo ou do trambique... Fui alcoólatra, fora o cigarro e outras drogas da época... Mas nunca tive a sorte de me dar bem... Todos os colegas me traiam e também não era de confiança... O pior serviço e o menos rendoso sempre era para a mim... Até que também veio o meu dia e morri... As coisas pioraram muito... Se vivo já sofria o azar, imagine morto... Sofri muito... Apanhei incontáveis vezes... Sempre fui um miserável... Mas um dia disse para mim... As coisas vão mudar e vou ficar por cima da carne-seca... Ralei... Sofri... Sofri... Até que fui adquirindo confiança e os trabalhos mudaram... Me levaram para aquele local e aos poucos fui entendendo as relações entre o mundo dos vivos e dos mortos... Fui percebendo que poderíamos influenciar os vivos mais do que eles imaginavam... Comecei a observar e a pedir ajuda aos espíritos mais experientes daquela Casa... Mesmo assim não foi fácil... Mas consegui... Consegui influenciar uma pessoa e a pedir seus favores...Dominei alguns desencarnados e os fiz meus serviçais... Aos poucos fui crescendo e sendo respeitado... Logo passei a ser o “Baiano da Consulta”... Assim que passei a ser conhecido pelos desencarnados... Todos os trabalhos eu pegava... O que não conseguia só, buscava ajuda aos mais experientes... Aprendi a manipular coisas e situações nas vidas dos encarnados e desencarnados que eu nem imaginava existir.
Percebi que ele falava como um desabafo e que os “Amigos Espirituais” permitiam tal situação para o Nosso Aprendizado...
Novamente fiz uma prece e disse aos “Trabalhadores Espirituais” que podiam retirar o Nosso Irmão para os seus tratamentos...
E assim encerramos com o “ Graças a Deus”
(Moisés de Cerqueira Pereira atua em Atividades de desobsessão e em desenvolvimento pratico mediúnico).
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