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A Candeia e o Alqueire
Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO:1. Introdução. 2. Endereço Bíblico. 3. O Significado dos Termos. 4. Contexto Histórico dos Evangelhos: 4.1. O Evangelho de Jesus; 4.2. O Judaísmo e o Império Romano. 5. O Problema do Conhecimento: 5.1. Conceito de Conhecimento; 5.2. Tipos de Conhecimento; 5.3. A Linguagem Simbólica. 6. A Pedagogia de Jesus; 6.1. Educação; 6.2. As Parábolas; 6.3. O Mistério do Reino dos Céus. 7. A Candeia, o Alqueire e o Espiritismo. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃOO objetivo desta exposição é mostrar que a transmissão do conhecimento deve ser proporcional à compreensão do ouvinte. Nesse sentido esta peça oratória analisará, sob a ótica espírita, o significado e o endereço bíblico das palavras candeia e alqueire, o contexto histórico dos Evangelhos, o problema do conhecimento e a pedagogia de Jesus. 2. ENDEREÇO BÍBLICO
3. O SIGNIFICADO DOS TERMOSCandeia - do lat. candela, "vela de sebo ou de cera" - significa pequeno aparelho de iluminação, que se suspende por um prego, com recipiente de folha-de-flandres, barro ou outro material, abastecido com óleo, no qual se embebe uma torcida, e de emprego em casas pobres. Alqueire - do ár. al-kail -, antiga medida de capacidade para secos e líquidos, variável de terra para terra. Na Europa correspondia, pouco mais ou menos a 13 litros; na China, entre 10 e 31 litros. No Brasil, medida agrária que varia de acordo com a região: 48.400m2 (Rj, Go e Mg) e 24.400m2 (SP) O uso simbólico do alqueire deve-se essencialmente a seu emprego pelas sociedades secretas: a idéia básica é tirar o que está oculto debaixo, mais propriamente, o que está no interior. Para isso, colocavam arroz vermelho, alimento da imortalidade, dentro do alqueire. E, se o alqueire contém esse alimento, é por causa da potência da luz, ou do conhecimento. Refere-se, também, à mitologia, em que o deus irlandês, Diancecht mata o seu filho Miach (alqueire). A filha de Diancecht, chamada Airmed, classificou as trezentas e sessenta e cinco plantas que cresceram sobre o túmulo de seu irmão, Miach. Diancecht, entretanto, colocou-os novamente em desordem, a fim de que ninguém pudesse utilizá-las. Miach (alqueire) simboliza a medida de equilíbrio cósmico, e Diancecht mata o próprio filho porque o conhecimento das plantas não deve ser divulgado. Ele põe esse conhecimento "debaixo do alqueire". (Chevalier, 1992) 4. CONTEXTO HISTÓRICO DOS EVANGELHOS4.1. O EVANGELHO DE JESUSA palavra evangelho, do grego euangélion, quer dizer "boa-notícia". O sentido mais antigo está relacionado com a gorjeta que se dava aos que traziam "boas-notícias". Nas cidades gregas, falava-se do Evangelho quando ecoava a notícia de uma vitória militar ou do nascimento do filho de um rei, de um imperador. Unia-se aos cânticos e às cerimônias festivas, dando uma conotação de alegria. No Velho Testamento, Deus comunica os seus anúncios de alegria aos patriarcas, a Moisés, aos chefes e aos profetas de seu povo. No Novo Testamento, Deus dá o maior dos "anúncios", o anúncio de Jesus. O Evangelho torna-se então "o alegre anúncio" da vinda do Cristo salvador e a proclamação da sua missão. (Battaglia, 1984, p.19 a 21) 4.2. O JUDAÍSMO E O IMPÉRIO ROMANOO judaísmo compreende as leis, costumes, práticas religiosas peculiares aos judeus a partir do cativeiro da Babilônia. O povo judeu, ao qual Jesus e os apóstolos pertenciam fazia parte do grande império romano que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico. O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos. "O ambiente histórico, em que o Evangelho nasceu, é o do judaísmo, formado e alimentado pelos livros sacros do Antigo Testamento, condicionado pelos acontecimentos históricos, pelas instituições nas quais se encontrou inserido e pelas correntes religiosas que o especificaram. 5. O PROBLEMA DO CONHECIMENTO5.1. CONCEITO DE CONHECIMENTO"No conhecimento encontram-se frente a frente a consciência e o objeto, o sujeito e o objeto. O conhecimento apresenta-se como uma relação entre esses dois elementos, que nela permanecem eternamente separados um do outro. O dualismo sujeito e objeto pertence à essência do conhecimento". (Hessen, 1968, p. 26) Desta forma:
5.2. TIPOS DE CONHECIMENTO
5.3. A LINGUAGEM SIMBÓLICANo símbolo, a pessoa se expressa. No símbolo a pessoa é conhecida. No símbolo encontra-se com outra no plano da comunicação e da confidência que une dois seres pessoais. Foi por isso, que, com razão, já se definiu o homem como um ser simbólico. Toda a cultura é uma produção de símbolos dos quais os homens se expressam, se comunicam e se trocam a riqueza interior. (Idígoras, 1983) A palavra símbolo presta-se a muitas significações. Confundimo-la com a metáfora, a alegoria, a parábola, o apólogo etc. Há, até um matéria filosófica, denominada simbólica, que estuda a gênese, o desenvolvimento, a vida, a morte e a ressurreição do símbolo. Em se tratando dos ensinamentos de Jesus, precisamos extrair a essência daquilo que ele deixou velado, ou seja, a simbologia de sua linguagem. 6. A PEDAGOGIA DE JESUS6.1. EDUCAÇÃOA educação é um processo lento. O amadurecimento do ser requer consideração, reflexão e ponderação constantes. Por sua própria natureza, a educação é um diálogo. Através desse diálogo, as gerações mais experimentadas transmitem às mais jovens a riqueza de seus conhecimentos e vivências. Cristo é o grande educador da humanidade. Para educar o povo, recorreu à pedagogia da época: parábolas, hipérboles gráficas e alegorias. 6.2. AS PARÁBOLASParábola é um relato que possui sentido próprio, destinado , porém, a sugerir, além desse sentido imediato, uma lição moral. No fundo do parabole grego há a idéia de comparação, enigma, curiosidade. As parábolas evangélicas contadas por Jesus são imagens tomadas das realidades terrestres para serem sinais das realidades reveladas por Deus. Elas precisam de uma explicação mais profunda. O conhecimento exotérico e o conhecimento esotérico estão implícitos nas parábolas. O conhecimento exotérico refere-se à exposição que Jesus fazia publicamente, enquanto o conhecimento esotérico, refere-se às explicações que Jesus dava aos apóstolos, em particular. 6.3. O MISTÉRIO DO REINO DOS CÉUSMistério - do grego mysterion evoca a idéia de coisa secreta. É um dogma religioso cuja compreensão está acima da razão humana. Pode ser, também, o ensinamento dado à parte aos iniciados em uma doutrina ou religião. Temos, assim, o mistério eleusíaco, o mistério órfico, o mistério da encarnação, o mistério da Santíssima Trindade etc. Reino dos Céus - é uma realidade misteriosa que só Jesus pode dar a conhecer. Jesus revela o reino dos céus às crianças, aos humildes e aos pobres de espírito. Nega-o, porém, aos prudentes. (Leon-Dufour, 1972) 7. A CANDEIA, O ALQUEIRE E O ESPIRITISMOAllan Kardec, o codificador do Espiritismo, com o auxílio dos Espíritos superiores, fornece-nos subsídios valiosos para a interpretação desta e de outras passagens evangélicas. Analisemos, pois:
"O Espiritismo vem hoje lançar luz sobre uma multidão de pontos obscuros; entretanto, não a lança inconsideravelmente. Os Espíritos procedem nas suas instruções com uma admirável prudência; não foi senão sucessivamente e gradualmente que abordaram as diversas partes conhecidas da doutrina e é assim que as outras partes serão reveladas à medida que o momento tenha chegado para fazê-la sair da sombra". (Kardec, 1984, p. 285) 8. CONCLUSÃOTodos podemos ser os arautos do Senhor. O Espiritismo nada inventou, apenas facilitou a nossa compreensão das verdades eternas. Cabe-nos, portanto, não só estudar os princípios fundamentais da doutrina, como também, penetrar no âmago do psiquismo humano. Tal empreendimento auxiliar-nos-á eficazmente no sentido de transmitirmos o conhecimento espiritual de acordo com a capacidade de entendimento daqueles que nos ouvem. 9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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